23.4.08

a presença que une é estar ausentes

Photobucket
Este blogue escapa à ordem da autoria, assume a berma sem contornos, fecha à hora da abertura, quando sai entra para fora, propõe o modelo do instante sem prejuízo do posterior desenvolvimento, abre à hora do fecho. Este blogue escapa à ordem da autoria, não é escrito por uma ou por duas pessoas. Em cima, na fotografia, somos aquelas duas do meio, a nossa função, aqui, não passa pela escrita, a nossa função é estar abraçadas sem braços. À nossa volta, outras expressões baseadas no paradigma do feitiço anterior. Somos todas e o espaço é o mesmo para todas, densamente desabitado. A função do manequim é esta. O manequim distancia-se de si mesmo para consentir a ficção do lugar povoado. A relação entre esse distanciamento e a ficção, está na procura da verdade. Quanto mais a procura, mais o manequim se perde de vista. Deste modo, a verdade está no abraço sem braços, é a percepção que se tem do acontecido a partir de longe. Invertendo a propensão benjaminiana [Infância em Berlim por volta de 1900. ] de «ver tudo o que lhe interessa aproximando-se de longe», a nossa função é ver tudo o que interessa afastando-nos do perto, isto é, trocando a alucinação da pequena distância pela alucinação da grande distância. Logo, a nossa função distancia o encontro para formar relação.

[Imagem: Pam Mendelsohn. Closing Day at B. Altman's Department Store. New York, 1990]
O mérito do primeiro encontro com esta foto(auto)grafia está na enorme distância, nos termos da melhor qualidade que pode exprimir a mácula, que nos une ao Manchas, de Luís Mourão. Aprende-se mais nos lugares que abrem à hora do fecho; lugares distantes. Ver mais de perto não será, pois, ler mais de perto.