29.1.09

desporto

Por amor ao desporto se eleva o desporto às associações mais bonitas.

28.1.09

Roger Federer sem ponto final


À entrada do court, no minuto de fusão das perspectivas dos atletas, Del Potro denunciou claríssima subserviência a Federer, o meu comentário saltou de imediato: «Potro acobardado. Já foste». Roger Federer, como pertence aos génios, não baixou a fasquia à inoperância do oponente e desde cedo agiu por intermédio dele mesmo nele mesmo e para ele mesmo, mostrou o que vale um profissional quando posto à prova da injustiça dos vaticínios mais redutores (Federer, insisto e volto a insistir para quem ainda não percebeu, jamais morrerá ou, mais bem dito, morrerá altíssimo, porque se funde a uma ideia de desporto pré-existente à condição física que em primeira instância o define). Contra Del Potro, uma vez mais as bolas ganhantes de Federer revelaram um autêntico espectáculo de curta-metragem tenística, um homem que estava ali para mostrar o domínio da fronteira das quatro linhas, uma constelação de gramáticas belas e matemáticas (obra de arte), a certeza - própria do génio - de que é possível viver nos limites recriando os limites, atribuindo-lhes uma dimensão de liberdade que escapa à prisão mundana dos Homens. Eu vejo os meus atletas e eles dão-me alegrias gratuitas em dias tristes, eu amo os meus atletas e comprometo-me a unificar a inevitabilidade deste ponto de vista: Roger Federer é exemplo representativo do ténis mais completo, converte a linguagem tenística numa lógica desportiva única e transformacional sem que, com isso, anule a legítima contribuição dos demais atletas que vivem o desporto, acima de tudo, por amor ao desporto. Não se consigna a um fim um atleta desta natureza, mas sim ao começo permanente inerente à própria noção de ideia.
Já em relação às mulheres, nenhuma me espanta ou envergonha. Há as preocupadas com o último grito da moda (encabeçado pela ausente Sharapova), há o corpo lindíssimo e reconfortantemente feminil de Gisela Dulko (mas não basta), há o capricho insuportável das meninas amuadas (qual Martina Hingis, começa e termina em Novak Đjoković), há as mulheres revoltadas de Tolstoi, com pequenos rasgos de Anna Karenina sempre resvalando, inseguras, para a linha do comboio (Safina), e as sedutoras de Tchékhov, finalmente assomadas para dominar sabe deus como (Dementieva). A esquerda de Navarro é linda, mas incomparável à mais recentíssima perfeita de Henin; falta-lhe a matemática o que, por vezes, a leva a tropeçar na pirueta espalhafatosa.
No meio disto tudo, eu só queria uma final impossível: Federer-Kohlschreiber, uma esquerda sublime amante contra uma esquerda amorosa enamorada.
E sobre o próximo jogo, o Maradona (que eu adoro, adoro mesmo, e a quem perdoo antigos vaticínios), já disse tudo.

22.1.09

olhe, ó Vaz Marques

O pertinentíssimo Carlos Vaz Marques entrevista o Bruno Aleixo e ainda bem, como diria o próprio Bruno, «quem ganha é o povo». Ouvir na TSF.

20.1.09

RFederer 2009


Abre com Australian Open. Seja para dormir 15 noites no sofá.

18.1.09

.intervalo...

...So I run to the lord
Please help me lord
Dont you see me prayin
Dont you see me down here prayin
But the lord said
Go to the devil
The lord said
Go to the devil
He said go to the devil
All on that day
So I ran to the devil...

16.1.09

.intervalo...



Afinal, melancólico aquele regabofe, essas duas mulheres como naquela tira de b-dê: dois homens sentados na sala branca, invisíveis as duas portas em frente, uma porta diz «entrar» outra porta diz «sair», e os dois homens sentados foram ficando, o chapéu nas mãos, invisível, as costas viradas para a presença da sombra.
[Imagem: Juan Muñoz. Fotografia. allen. Serralves/Dez. 2008]