Um dia hei-de começar a juntar moedas de dois euros em mealheiros de arrombamento único para comprar futuras compilações de textos escritos por ele em toda a parte; palavra de honra, estamos perante a emergência do
Rogério Casanova, não há por onde negar a prova de uma evidência. Associei às minhas orações profissionais e amorosas um novo pedido a deus: Que Deus queira que
RC se leve a sério; a sério, que se deixe de
seitas num futuro brevíssimo (e não estou a falar propriamente de jantares) e passe a comandar a sua própria arca de noé. Compreendo que, por ora, não sendo ele um academista, aceite a boleia de um carro de bois, é certo que meritoso, mas não mais do que um carrinho de bois. O FJViegas não me levará a mal, aliás, se não fosse um homem inteligente não o teria reconhecido por trás de uma qualquer sarja cor de senhor dos passos (e que, a preceito, e afirmo-o sem ironia, acho lhe continuaria a assentar bem se
RC fosse o senhor da gravata azul e sarja cor do senhor dos passos), apesar de eu sempre no imaginário o ter figurado à feição de uma mescla de três mosqueteiros: barba talhada à condição de um talassa, mosquinha D'Artagnan; um Porthos humorista; um Aramis ninfeu de testa alta, em todo ele dotado de delicadeza; quem sabe um segredo de Athos escondido por trás de uma arma ofensiva. (Andarei longe?). Faltaria acrescentar a estreita elegância de um Neil Hannon, mas que importa se a tem ou não tem quando escreve como só ele mesmo? Que importa se
Casanova seria ou não capaz de usar uma combinação infinita de gravatas em camisas aos florões e cintos delgados de pele em cores sortidas, se todos legitimamente lhe consentem epicentralidade, se nitidamente
todos à sua volta o adoram; p.e., este retrato não conta a verdade toda, de contrário esta malta far-me-ia lembrar uma excursão de fãs ao redor do seu ídolo e o FJViegas aquele Sr., meu antigo colega academista, muito mais velho, que decidiu tirar um curso na universidade para não apodrecer na reforma, como é que ele se chamava?, o Sr. Fernando, é isso mesmo, o Sr. Fernando, tal e qual o FJV, uma boa alma, uma paz de homem. Enfim, o que eu pretendo afirmar, em essência, ledoras e ledores obsequiáveis, é o seguinte: no panorama da ágora dos literatos da minha absoluta e honesta admiração, ponho em foco
Rogério Casanova e
Osvaldo M. Silvestre, ambos não necessariamente em relação contrária. Nem um nem outro passam por academistas; o primeiro, fora da academia, certamente lhe dará a volta, até digo mais, por ele meto a minha mão no fogo para não dizer outra coisa. Já o segundo, está dentro dela há um bom quinhão de anos, mas não inevitavelmente ela dentro dele (como diria o Vasco Barreto). O mais certo, para terminar que são que horas, é daqui a 20 anos eu me encontrar velha e bafienta na cama de um hospital, com problemas gastro-intestinais depois de me terem sido detectados melanemas nas análises clínicas, e ainda assim a ler, nas intermitências da arrastadeira, um romance do
Vasco Barreto prefaciado por
RC e posfaciado por Osvaldo Silvestre, ou não necessariamente por esta ordem de eternífluos.