Do
mesmo registo epistolográfico, deixo-vos algumas frases que gostaria que retivésseis no escaninho da vossa mais extremosa virtude literária:
a) A mãezinha de Chekhov era uma santa e chamava-se Evgenia Chekhova. Nas cartas que lhe escrevia, começava por se dirigir a ela deste modo:
Saudações, querida Mamã! [Atenção:
M em capital].
b) Sobre as mulheres
Gilyaks, que observou
in situ, deixa o seguinte testemunho: S
ão tratadas como animais domésticos, como objectos, (...)
podem ser expulsas, vendidas ou pontapeadas como um cão. Os Gilyaks mimam os seus cães, mas as mulheres nunca. Que Deus me livre da metempsychosis platónica, que eu, talvez por não suportar feministas, de certeza reencarnaria numa Gilyak, no entanto, assim de repente que me lembre, devo dizer que também não gostaria de exercer facilmente uma profissão sob os efeitos perversos da quota feminina. A Fernanda Câncio, p.e., ontem lá estava no A
Torto e a Direito (TVI 24) diante do paz d'alma do Francisco José Viegas e de um outro cujo nome não lembro, mas de certeza atacado pelo terceiro dia da TpM, a tentar defender a tese da quota deitando mão aos (e cito-a) «350 mil estudos» que existem sobre o caso, mas que, parece-me pelo modo como titubeia em televisão (em blogue tartamudeia menos), não leu nenhum deles. Ainda assim, pior do que uma feminista que não agarra o mote pelos cornos e o defende com pertinência, é a feminista cuja voz rouco-esganiçada lembra os insectos estridulatórios diante da língua de um camaleão. A propósito de camaleão e ainda no tema das quotas, o Francisco José Viegas, a dado momento, vira-se para ela e para a Constança Cunha e Sá e diz qualquer coisa do género:
Ouçam meniiinas ou então
deixem-me falar meniiinas. E as meninas nem tugiram nem mugiram, foi ver, por breves segundos, a Fernanda Câncio calar a sua triste falta de conhecimentos em geral e de postura em particular, e o Francisco, em vez de falar, desatou a debicar qualquer coisa no ar como um galo manso, contrariando os cacarejos da galinha ao lado. O Pedro Mexia sempre soube reconhecer não ter sido talhado para televisão. É triste, meus ledores tolerantes aos meus piores dias, achar que um programa destes ainda é melhor do que esperar eternidades pelo canalizador da allen.
c) Anton Chekhov ia às putas (é verdade, não é da vossa, tampouco da minha, imaginação; lestes mesmo bem). Anton Chekhov ia certamente às putas, senão lede esta passagem do mesmo livro:
Está-se sempre a rir e profere de forma constante sons com "ts". Tem uma incrível mestria na sua arte, de tal forma que ao invés de só usarmos o seu corpo sentimo-nos como fazendo parte de uma exibição de perícia equestre de alto-nível. Quando atingimos o clímax, a rapariga japonesa retira, com os dentes, um pedaço de tecido de algodão da sua manga, pega no nosso "velho" homem (ahahahah, isto é sublime!, nem o Henry Miller diria melhor)
(lembras-te da Maria Krestoskaya?) e de forma algo inesperada limpa-nos, enquanto o pano faz comichão na barriga. E tudo isto é feito com uma sensualidade artística, acompanhada por risos e do som musical dos "ts".E fui eu condenar tantas vezes o comportamento do meu querido pai. Homens e mulheres, se fordes casados ou quase, quando chegardes a casa do lupanar, batendo as 5h00 no campanário da vossa consciência, lede esta passagem aos vossos cônjuges, se forem cultos exclamarão com prazer: «Ah, Chekhov, sim, sempre e a qualquer hora; mais, mais»; se não forem cultos, acharão simplesmente que estais bêbados e um bêbado dificilmente consegue
coiso e tal.
Vou-me lá, são horas de comer o caldo.