25.6.09
18.6.09
em breve
Atrevo-me e digo-o: No princípio não era a carne, mas sim o verbo, mas o verbo desde sempre conflagrado; portanto, não o princípio de uma revolução da palavra começada, mas o incêndio da palavra no ardume alastrada para o fogo. O princípio é, pois, a conflagração da palavra viva que na labareda dela mesma resiste dolorosa ao fim da carne. Quem se atreverá a dizer o contrário, que não está morto desde a sua própria carne que, frágil, não sobreviveu no berço ao fogo manifesto do verbo? Quem se atreverá a afirmar tão medonha e impressionante heresia? Não sei o que digo leitor, aliás, não me leste jamais, porque nunca te escrevi. Leitor. Em breve, abalarei por dois meses ao sanatório da lírica helvética. Voltarei em setembro novamente de mãos vazias entornadas no chão desperdiçado do mundo. Não sentireis a minha falta, nem eu, tão-pouco, a vossa. A woody seguirá à minha frente, umas horas antes para que não caiamos na tentação do mesmo cockpit em pose vertical; seguirá à minha frente como lamparina da minha miopia, logo não estarei completamente só. Irá em trabalho, diz ela; eu irei em nome da loucura, dizem eles. Dizeis vós. Resta-nos a carne, consolai-vos pouco porque vos resta o que somente nos deram: a carne; que a palavra, essa, nunca existiu senão para arder em si mesma. E nós, esses nós, nunca existiram senão para deixarmos de existir em nós mesmos; carnes refractárias, achais, por certo, alguns de vós, mas sem palavras que as salvem. Eis o sério regabofe das nossas vidas.

