31.1.10

Roger Federer


O olhar inquieto sobre a linha de fronteira. Obrigada, Roger.

24.1.10

«propaganda sentimental»


valter hugo mãe
Escreve, canta, pensa, conversa tranquilamente sobre as coisas do mundo e a sua experiência sentimental do mundo. Gosta de crianças e há-de «arranjar maneira de fazer um filho». Ontem, por nós ouvido pela primeira vez (na antena 2), não conversou apenas sobre o seu novo livro. valter hugo mãe é uma voz que se ergue lentamente antes da palavra, uma voz que se ouve deitar muito depois das palavras que lançou no delírio, uma voz que passa no tempo para aquecer uma noção de espaço pluridimensional. Não é o Fausto português, também não é o Antony Hegarty português, e ainda bem, que de outro modo não seria ele mesmo. valter hugo mãe, ele mesmo, é um homem que tem palavras a dizer sobre decretos de amizade não decretadas senão através de uma voz que, muito antes das palavras a que foi normativamente destinada, representa a harmonia não gramatical das emoções universais. Uma voz que, fale, escreva ou cante, é muito, muito bonita; e nós precisamos de experiências bonitas.

23.1.10

«para quem não tem asas, és um bocado [atrevida]»*



Ainda não disse aqui que o melhor café de Lisboa se bebe no Cockpit Bar, rua Oliveira Martins, por trás da Av. de Roma. Costumo ir lá às sextas comprar cigarros e beber um café, nunca antes das 22h15 e com regresso a casa sempre antes das 22h45, isto porque a partir dos 25 anos uma pessoa com o senso à tona dos pés e o colesterol a dar de si tem medo de ser assaltada por quem goste de uma única nota de 5 euros no bolso, mas de bom calçado, como deve ser. A anedota do Dica desta semana tem muita piada, tem sim senhor, passa-se a bordo de um avião e acaba numa pessoa em trânsito para a morte e um papagaio no seu estado normal. Mas isto não vem a propósito de aviões nem pretende ser tão lúgubre quanto as feições de Schmidt ao volante de uma rulote, porque de aviões não entendo eu (aliás, benzo-me de cada vez que falo em bruxedos) e se falasse de rulotes antes estaria a lincar o novo blogue de confissões do Daniel b-site. Cheguei lá através da melhor agência de viagens.

* Diz o papagaio ao «amável senhor». Ahahahahah. Anedota do caraças.

22.1.10

in progress

Philipp Kohlschreiber está a jogar contra Nadal. Aconteça o que acontecer, as certezas aqui não importam para nada. Estou concentrada nas esquerdas do alemão, que são, provavelmente, das mais bonitas do ténis masculino. Felizmente, nunca gostei de categorias óbvias.

21.1.10

o regabofe

Stéphane Lambiel



A Suíça tem-me dado muitas alegrias. De um 5º lugar do programa curto, Lambiel passou a 2º. Não são apenas os círculos perfeitos, mas sobretudo a dimensão de uma geometria total ocupada pela volatilidade de um simples homem que transita no indefinível espaço artístico que o eterniza. Entenda-se menos ainda: há homens que na terra suspendem a respiração de Deus. Stéphane Lambiel, a par de Plushenko [1º], são dois dos nomes que não se podem invocar em vão, por isso calo-me e enxugo as lágrimas.

as tais figuras in-beetween


Acabo de me informar no Avatares. O meu primeiro saco de desporto tinha a reprodução da assinatura do Agassi; nessa altura eu já amava a modalidade, enquanto ele batia milhares de bolas por ano e odiava a modalidade. O artigo de Pedro Keul mostra, desde já, que este livro é, acima de tudo, um tratado intimista e deveras psicanalítico do atleta que foi, por outro lado, um mito. Andre Agassi, finalmente o homem, resolveu contar a história para que reste o atleta, mas se derrame o mito.

20.1.10

limites

Alguém chegou a'O Regabofe pelo Google a partir dos termos Tenho vontade de foder e ser fodida tendo aportado no sítio porventura dos mais longínquos de sempre. Jean Eustache [La maman et la putain - 1973.] é mais que mote literário para toda a vontade deste jaez. O cliente precisou de 14 minutos e 24 segundos (para ser fodido pelo texto?, assim espero) e vagueou, certamente insatisfeito, por mais seis páginas. Ainda que volte ao mesmo, sairá sempre no mesmo. Na maioria das vezes, a vontade que já transbordou os limites da satisfação sem que tenha sido realmente consubstanciada perde-se no destino de quem procura desesperadamente, e sem êxito, escapar à hybris de tamanha busca. Para simplificar, também carrego a sina dos excessos libidinosos, mas o mais que fiz foi pedir ao Google um Roger Federer nu do tornozelo para baixo, acabando por aportar no sítio, porventura, dos mais impertinentes de sempre: Nunca fui tímida, diz Flavia Alessandra no adeus a 'Playboy'. Haja limites.

Campeonato Europeu Patinagem Artística [Estónia]


Brian Joubert (vencedor do ano passado) e a belíssima Carolina Kostner (segundo lugar no ano passado). Em continuação do post anterior, só tenho a certeza de que quero que ela ganhe e seja tomada nos braços dos três melhores bailarinos. Parece-me ser a melhor, a mais bonita e romântica distinção que uma mulher pode desejar em dias de gelo.

2009-2010 - o regresso dos vencedores



Stéphane Lambiel, patinador suíço, filho de mãe portuguesa (espantai-vos) e Evegeni Plushenko, patinador russo. Depois de uma longuíssima retirada, regressam para disputar o Campeonato Europeu de Patinagem Artística (na Estónia) com Brian Joubert, patinador francês e espantosamente vencedor do ano passado. Entre eles, mínima diferença de idades e magistral similitude no respeito a performance sobre gelo. Figuras in-beetween que em muito explicam uma vida sobre lâminas. No limite da forma não são menos que metáforas poéticas assentes no equilíbrio de uma certa ideia de risco. Impossível descodificar o melhor dos três, a não ser que diga que são mais novos do que eu, que já perdi a conta aos bate-cus da minha vida.

19.1.10

Australian Open [2010]


Infelizmente, este ano falta-me tempo para, com cuidado, assistir aos encontros mais emblemáticos do grande torneio das desoras. No entanto, sem ter, ainda, visto nenhum dos jogos, sei pelos resultados publicados em sítio próprio que a primeira ronda começou bem no que toca aos meus favoritos: Singulares masculinos [1ª ronda]: Roger Federer (SUI) [1], está dito. Philipp Kohlschreiber (GER) [27], porque bate a esquerda mais exótica do ténis masculino. Nikolai Davydenko (RUS) [6], porque “Kolia” é o cavalheiro mais frio da literatura tenística. Jo-Wilfried Tsonga (FRA) [10], a performance mais espectacular. Stanislas Wawrinka (SUI) [19], porque é suíço. Nos Singulares femininos [1ª ronda]: Jelena Jankovic (SRB) [8], porque, embora muito feminina, vai ao court e não exibe os suaves limites da sua fealdade de rosto, antes os extravasa com sublime sentido de humor e uma performance tenística que leva de mote uma belíssima lição de integridade. Ricardo Gross lembra bem, a vantagem dos feios é que a sua fealdade dura para sempre, facto que deveria servir de exemplo para as pequenas mortais e sonhadoras Sharapova e Ivanovic. Ainda nos singulares femininos, esta madrugada – 2ª ronda – a porca voltará a torcer o rabo pelas melhores: Justin Henin (BEL) e Kim Clijsters (BEL) [15], porque as falhas passadas do real ténis feminino voltam, uma vez mais, nos moldes sísmicos mais assustadores.