Lambiel
Com um obrigada, pela partilha, a José Bértolo.
Há para aí um questionário em linha que nos poderá remeter para um conhecimento ontológico - funcional e estético, se não quiserdes dissociar os critérios constitutivos - da nossa vida passada. Basta responder e inserir o número de telemóvel para nos ser enviado o resultado. Não inseri número coisíssima nenhuma, sob pena de doravante me extorquirem dinheiro do telefone a torto e direito. «Rainha, ama ou cortesã?» Entre outras perguntas, deve-se responder à de teor temporalista. Com que tempo nos identificamos mais ou menos? À excepção da centralidade política, desde sempre que sobre aquelas me sinto a actriz mediadora nascida em qualquer tempo. Porque a actriz, entre a mãe e a puta, é a fronteira que existe para revelar o espanto, a perplexidade, o estranhamento; a noção de uma pertença identitária que se dá por osmose de dois corpos que não sabem exactamente onde termina o papel da mãe e começa o da puta, ou, mais bem dito, onde termina o papel maternalício da puta e principia o papel mercenarista da mãe. Enfim, a mulher que se dá à cena no palco hipotético, felizmente maldito, das equações diferenciais.
[Imagem: Veronika (Françoise Lebrun). La maman et la putain, 1973, Realização: Jean Eustache]