o regresso à quinta dimensão
Ao cabo de cerca de uma semana em ressaca, começo a não sentir os choques na cabeça por falta do Cipralex. Não deve ser um bom sinal, uma vez que o Cipralex é óptimo, digo mais, o Cipralex é um milagre dos nossos dias (pelo menos depois do meu psicanalista; aliás, pelo menos depois de Cristo no madeiro ter gritado: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?», e a prova de que não o abandonou, foi ter mandado cá para baixo uma caterva de caixas de Cipralex e o meu psicanalista.). O meu psicanalista não me sugeriu que parasse o tratamento, eu é que quis fazer uma experiência, sobretudo depois de ter começado a ler o Frankenstein de Mary Shelley. Desatei a sentir choques intermitentes na cabeça como se tivesse uns parafusos mal enroscados na caveira. O problema está na colisão das placas tectónicas: deixei de discernir entre um choque espoletado pelos efeitos colaterais da falta de Cipralex e um outro desencadeado pelos efeitos colaterais de uma existência impregnada de governadores e outros monstros de quinteiro. De modo que vou reiniciar o tratamento para que tudo volte ao normal, e no tudo dever-se-á incluir o'Regabofe mais as euforias da sua quinta dimensão.

