31.3.10

o regresso à quinta dimensão



Ao cabo de cerca de uma semana em ressaca, começo a não sentir os choques na cabeça por falta do Cipralex. Não deve ser um bom sinal, uma vez que o Cipralex é óptimo, digo mais, o Cipralex é um milagre dos nossos dias (pelo menos depois do meu psicanalista; aliás, pelo menos depois de Cristo no madeiro ter gritado: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?», e a prova de que não o abandonou, foi ter mandado cá para baixo uma caterva de caixas de Cipralex e o meu psicanalista.). O meu psicanalista não me sugeriu que parasse o tratamento, eu é que quis fazer uma experiência, sobretudo depois de ter começado a ler o Frankenstein de Mary Shelley. Desatei a sentir choques intermitentes na cabeça como se tivesse uns parafusos mal enroscados na caveira. O problema está na colisão das placas tectónicas: deixei de discernir entre um choque espoletado pelos efeitos colaterais da falta de Cipralex e um outro desencadeado pelos efeitos colaterais de uma existência impregnada de governadores e outros monstros de quinteiro. De modo que vou reiniciar o tratamento para que tudo volte ao normal, e no tudo dever-se-á incluir o'Regabofe mais as euforias da sua quinta dimensão.

19.3.10

terre


Eu sei que os perfumes são caros, mas a vida cheira a merda, meu Deus.

8.3.10

A Alice de Tim Burton


Tempo de suspender a mundanidade pateticamente fantasiosa em nome de uma ficção mais verosímil.

na idade das maravilhas

Entrei no elevador e ela estava lá. Resmunguei umas coisas no objectivo de provocar a atenção dela. E provoquei. Comparou os meus resmungos a uma ideia puramente benjaminiana, o clic aconteceu e eu, como uma adolescente fantástica, não fui capaz de dizer nada senão anuir com a cabeça. De permeio, W. Benjamin surgiu, uma vez mais, no desalento que abriga aquele tesão contido próprio a uma idade feliz que tudo espera e nada alcança. E que mamas, meu deus, que mamas.